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- breve história de uma das mais importantes "Se a História for simpática com o Fugazi, os
discos da banda não serão obscurecidos pela reputação e
métodos de trabalho deles. Ao invés de serem conhecidos por
seu ativismo comunitário, shows a cinco dólares, CDs a dez
dólares, resistência às ordens do mainstream e risível
folclore fictício cercando seus estilos de vida, eles serão
identificados por terem fixado um grande nível para excelência
artística que é frequentemente buscado mas raro de ser
conquistado. Durante sua existência, o quarteto criou algumas
das mais inteligentes, revigorantes e indubitavelmente
musicais canções de pós-hardcore. Lado a lado com sua ética
underground - que se baseava mais em pragmatismo e modéstia do
que qualquer outra coisa - eles ganharam um culto global
numeroso e extremamente leal. Para muitos, o Fugazi
significava tanto quanto Bob Dylan tinha significado para seus
pais. (...) Mais que qualquer coisa, o Fugazi inspirou; eles
mostraram que a arte podia prevalecer sobre o comércio." ALL MUSIC GUIDE
O modo de trabalho do
Fugazi praticamente resume o Evangelho Indie: fuja do mainstream e
das majors, funde tua própria gravadora (nesse caso, a já lendária
Dischord), venda seus discos a 10 paus e seus ingressos a 5, dê
entrevistas quilométricas para zinões toscos de fundo de quintal
enquanto levanta o dedo médio pra Rolling Stone e pra NME, e nunca
se esqueça de denunciar toda a podridão que se esconde por trás do
Esquema do Pop capitalista - que é ganancioso, fútil, burro,
farsário e alienante (pra dizer o mínimo). Além dessa radical
tomada de posição anti-capitalista, o Fugazi também é famoso por
seguir e "propagandear" o estilo de vida Straight-edge, que não deve
ser familiar àqueles que não estão inteirados com os subterrâneos da
cena punk, valendo a pena então dar uma clareada no seu significado.
"Straight Edge" é, antes de mais nada, uma música do Minor Threat, a
banda de hardcore que Ian MacKaye chefiava na segunda metade dos
anos 80, música esta que serviu para batizar um "movimento
comportamental" dentro da cena punk. Os mais fanáticos seguidores
vêem nele muito mais do que uma modinha ou do que o nome de uma
tribo urbana: para eles, Straight Edge é uma seríssima filosofia de
vida seguida com uma ortodoxia digna de um religioso fervoroso. Para
os detratores, os punks straight-edge representam a parcela mais
"puritana" e "moralista" dentre os punks, mas não há poucos que
ressaltam o fato de que o straight-edge foi importante para provar
que ser um punk não era sinônimo de ser imoral, violento, vândalo
e/ou nazistóide... A filosofia
straight-edge solicita de seus seguidores que não consumam nenhuma
droga (nem mesmo o álcool), que não se entreguem a relações sexuais
casuais e promíscuas, que pensem com uma "mentalidade comunitária",
que não se deixem nunca arrebatar pela violência, dentre outros
preceitos. Há até mesmo aqueles que se pronunciam convictos
vegetarianos! Apesar de haver uma série de bandas underground que se
dizem straight-edge, o Fugazi e o Minor Threat permanecerão sempre
como as duas bandas-símbolo do movimento e Ian MacKaye, queira ou
não, como o messias dessa religião laica... Não é difícil de
simpatizar com a banda só por isso que ficou dito, e não foram
poucos os que manifestaram sua empatia com a luta fugaziana (Kurt
Cobain, por exemplo, declarou que muito admirava a "integridade" do
Fugazi). Mas por enquanto ainda não saímos do domínio da política,
do comportamento, da atitude frente ao capitalismo e à indústria
cultural, e não chegamos ao que também interessa checar: a música.
"Se a História for simpática com o Fugazi, os discos da banda não
serão obscurecidos pela reputação e métodos de trabalho deles",
disse o simpático sujeito que escreveu a bio da banda para a AMG. E
é fato que a banda chega a ser mais célebre pela ideologia indie
ortodoxa e pelo modo-de-viver straight-edge do que pela própria
música que fazem. As mitologias que
circulam por aí sobre os membros da banda beiram a lenda folclórica
e acabam desviando a atenção pra longe do som. "Uma vez que a banda
não dava entrevistas para publicações grandes, alguns jornalistas
foram deixados livres para improvisar e optaram por tomar licença
criativa. As fofocas entre a base de fãs era igualmente imaginativa.
De fato, alguns dos caras que iam aos shows poderiam se surpreender
de ver a banda chegar aos locais em vans, e não num comboio de
camelos. Aqueles que falavam com membros da banda ficavam
surpreendidos de ouvir que eles viviam em casas - e não em
monastérios - com calefação funcionando... e que suas dietas não
eram estritamente à base de arroz", diz o bem-humorado cara da
AMG. Enfim, é preciso ir à
música, e é isso o mais importante. É chegado o tempo de começar a
ouvir o som do Fugazi ao invés de só reconhecê-los pela política
frente à indústria cultural e a moralidade rígida que seguem. Que os
holofotes finalmente iluminem a música do Fugazi e não só a
desgraçada da Atitude! Pois bem: abanda começou
sua caminhada em 1987, na capital americana Washington, formada das
ruínas de algumas bandas importantes na consolidação do hardcore e
do emo americano. Do Minor Threat, banda de rápida carreira que é
hoje considerada uma das mais importantes da história do hardcore
(lado a lado com os Dead Kennedys, o Husker Du, o Discharge...),
saiu o vocalista Ian McKaye. Do Rites Of Spring, o guitarrista e
vocalista Guy Picciotto. Foram complementados pelo baixista Joe
Lally e pelo baterista Brendan Canty. Através dos anos 90 e 00,
lançaram (sempre via Dischord) os seguintes álbuns: 13 Songs
(que reúne os dois primeiros EPs lançados pela banda, o
auto-entitulado de 1988 e o Margin Walker de 1989),
Repeater (1990), Steady Diet Of Nothing (1991), In
On The Kill Taker (1993), Red Medicine (1995),
Instrument (trilha-sonora, 1998), End Hits (1999) e
The Argument (2001). Descrever a música com
palavras sempre é tarefa complicada, mas tentemos. O Fugazi sempre
me pareceu a irmã menor do Gang Of Four na família que tem por papai
o The Clash e por mamãe o pós-punk ao estilo PiL (se bem que com uma
violência sônica mais brutal). Como o Gang e o Clash, o Fugazi
também é uma banda profundamente política, engajada, militante, mas
a analogia não pára por aí. A música do Fugazi compartilha com o
Gang of 4 e com o pós-punk em geral alguns elementos clássicos: a
preferência dada ao fator rítmico sobre o melódico, a gravidade dos
instrumentos solo (que faz com que as guitarras tenham aquele som
quase de baixo e que quase nunca saiam fazendo solinhos agudos), a
ausência quase completa de lá-lá-lás cantaroláveis. O Fugazi é muito
mais um monstro rítmico barulhento do que uma fábrica de doces
melódicos, caindo vez ou outra num experimentalismo que beira a
atonalidade e o sonic-youthianismo. Bandas como o ...Trail of Dead,
o Mission of Burma, o Jesus Lizard, o Jawbox, o Plastic
Constellations e o Giddy Motors seguem o mesmo evangelho e são
outros parentes próximos na família Fugazi. Em
resumo : tanto pela música empolgante e contagiosa quanto pela
atitude muito elogiável, o Fugazi é tipo um MODELO. A heróica banda
que segura a bandeira do underground com a mais firme das mãos e que
conduz o mastro da Dischord por mares turbulentos sem naufragar. Os
corajosos punks que ousaram questionar todos os estereótipos e
sugerir que ser punk poderia ser outra coisa que não somente
destruição, anarquia e niilismo (e que podia se basear em espírito
comunitário, ativismo político, construção de valores
alternativos...). Enfim: a banda-emblema dos anos 90 a provar que "a
arte podia prevalecer sobre o comércio". Uns HERÓIS, esses caras.
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DISCOGRAFIA
-- álbum
+ ano + avaliação minha sem muito pensamento:
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